Do Amado Ir:: Elomar Figueira Mello

Nos raios de luz de um beijo
Puro me estremeço
E eis-me a navegar
Por celúrias regiões onde
Ao malvado e ao impuro
Não é dado entrar
Tresloucado cavaleiro
Andante a vasculhar espaços
De extintos céus
Num confronto derradeiro
Vence Prometeu
Anjo do mal
O mais cruel
Acusador de meus irmãos

Nestes mundos dissipados
Magas entidades dotam
O corpo meu
De poderes encantados
Mágicos sentidos
Na razão dos céus
Pois cindir o espaço e o tempo
Vencer as tentações rasteiras
Do instinto animal
Só é dado a quem vê
No amor o único portal

Através de infindas sendas
Vias estelares num cordel de luz
Trago atado ao umbigo ainda
Pois não transmudei-me
Ao reino dos cristais
Ah pois Deus acorrentou os sábios
Na prisão escura das três dimensões
E escravizados desde então
A serviço dos maus
Vivem a mentir
Vivem a enganar
A iludir os corações

Visitante das estrelas
Hóspede celeste, visões ancestrais
Me torturam pois ao vê-las
Quebro o encanto e torno
Ao mundo dos meus pais
A minha origem planetária
Enfrentar a mansão da morte
Do pranto e da dor
Donzela feche esta janela
E não me tentes mais.

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De Salomão

Como todos os seres humanos,
também eu sou mortal,
pois sou descendente do primeiro homem,
que foi formado da terra,
e o meu corpo tomou forma no ventre da minha mãe.
No espaço de dez meses fui gerado do sangue,
pelo esperma do meu pai e no prazer do amor.
Ao nascer, comecei a respirar o ar que todos respiram;
quando apareci neste mundo,
que recebe todos do mesmo modo, fui como os outros:
o primeiro som que saiu da minha boca foi o choro.
Fui enrolado em panos e criado com carinho.
Nenhum rei começou a vida de outra maneira.
Todos entramos neste mundo por um mesmo caminho
e por um mesmo caminho todos saímos.
Por isso, orei e Deus deu-me a inteligência;
clamei, e o espírito da sabedoria veio até mim.
Preferi a sabedoria mais do que cetros e tronos;
em comparação com ela, as riquezas não valem nada.
A pedra mais preciosa não vale tanto quanto a sabedoria;
comparado com ela,
todo o ouro do mundo é como um punhado de areia;
toda a prata vale menos do que o barro.
Amei a sabedoria mais do que a saúde e a beleza;
quis tê-la mais do que a luz do sol,
pois o seu brilho nunca se apaga.
Juntamente com a sabedoria,
recebi também todas as coisas boas;
nas suas mãos encontrei riquezas sem fim.
Alegrei-me com todas elas,
pois foi a sabedoria quem as trouxe;
porém eu não sabia que ela é a mãe de todas as riquezas.
Sem engano a aprendi, sem inveja a partilho;
não quero guardar para mim as riquezas que ela me deu.
A sabedoria é uma riqueza sem fim para os seres humanos;
os que conseguem ganhá-la tornam-se amigos de Deus.
Por causa dos dons que ela traz, recebem a sua aprovação.
Deus permita que eu fale sempre com conhecimento,
e que os meus pensamentos sejam dignos dos dons que ele me der.
É Deus quem guia a sabedoria, é ele quem corrige os sábios.
Nós e as nossas palavras estamos nas suas mãos;
e assim também a nossa inteligência e o saber prático.
Deus fez-me conhecer claramente tudo o que existe:
o funcionamento do Universo e os elementos de que ele se compõe.
Eu entendo o começo, o fim e o meio das épocas,
as variações do Sol e a mudança das estações;
os ciclos do ano, a posição das estrelas,
a natureza dos animais, os instintos dos animais selvagens,
a força dos ventos, a maneira de pensar das pessoas,
os diferentes tipos de plantas e as propriedades das suas raízes.
Eu aprendi tanto as coisas já bem conhecidas
como as desconhecidas.
Quem mo ensinou foi a sabedoria, que criou todas as coisas.

Ela é mais bonita do que o Sol,
mais linda do que todas as estrelas.
Comparada com ela, a luz do Sol fica a perder.
Pois essa luz desaparece quando a noite chega,
mas o mal não pode derrotar a sabedoria.

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Chaves Cabalísticas

O “Grande Rosto” é uma expressão do Mais-Alto, El Elion. Na cabala, ele tem o nome de Ain Soph, “o sem fim e sem limites” que, quando falamos de forma humana, é aquele que transborda de amor. No entanto, ele só pode dar esse amor se alguém o receber. Esse ser é o Filho, e somente é Filho aquele que se volta para o Mais-Alto. Então, de repente, o Mais-Alto, que está além de todo conceito e mesmo além de toda forma pessoal, aparece, apesar de tudo, como uma pessoa, como Grande Rosto. Nasce, então, uma relação entre o Filho, que é o Pequeno Rosto, e o Grande Rosto. Mas não se trata de uma simples relação entre duas pessoas. Na verdade, a força e o amor que afluem do Mais-Alto, recolhidos pelo Filho, provocam nele uma reversão, do mesmo modo que, a seguir, o amor pode se derramar sobre o mundo.

O importante é compreender que essa criação é um ato que diz respeito a uma relação entre pessoas. Toda pessoa que quiser experimentar o Mais-Alto deve, de uma maneira ou de outra, unir-se ao Filho. Em suma, desde o começo, as relações pessoais se tornam centrais, são relações de amor. Deus é amor e toda a criação exprime esse amor.

Ora, o amor implica em receber e dar. Antes da criação do mundo, relatada no Gênesis, os anjos e arcanjos tiveram por missão receber o amor proveniente do Mais-Alto e restituí-lo por meio de hinos e preces. Assim, um contínuo movimento de troca com o Mais-Alto foi mantido – uma dinâmica de receber e dar.

O Livro do mistério oculto relata ter havido anjos que, em determinado momento, quiseram receber e não dar. Desde então, a situação se deteriorou. A aliança cósmica foi rompida. O anjo se transformou em Satã, e esse foi o início de todos os males. Significa que quis apropriar-se do amor: aceitava receber, mas recusava-se a transmitir. O Mais-Alto, contemplando o quadro do mundo angélico, observou que ele se rompera, não por obra de apenas um, mas por uma multidão de anjos que já não acolhiam, que já não davam. Estes mergulharam nas trevas profundas. Ora, como transborda de amor, o Mais-Alto quis que, a todo custo, esses anjos fossem salvos. Então aconteceu a obra da criação tal como é descrita no primeiro capítulo do Gênesis: uma criação que tem por objetivo libertar o mal.

Tudo o que existe participa dessa obra de libertação. O lugar ocupado no Céu pelo mais importante dos anjos decaídos, Satã, precisava ser retomado, e por isso Adão foi criado, conforme lemos no segundo capítulo do Gênesis. De segundo a segundo, cada um de nós recebe o sopro e cada um de nós é formado, é criado como “alma vivente”. Então, o mito nos permite ver que se trata de nos abrirmos ao sopro para recebê-lo e oferecê-lo da mesma forma, sem o reter.

Adão não tem somente um corpo paradisíaco, mas um corpo terrestre. Ora, é na parte terrestre da criação que todos os anjos da queda são, por assim dizer, aprisionados! A principal razão da criação de Adão é servir de intermediário entre os Céus e os Infernos. Por isso, ele deve tanto ser ligado aos Céus, devido a seu corpo de luz, quanto aos Infernos, devido a seu núcleo terrestre. Se frequentemente dizemos que Adão precisa fazer a ligação entre o Céu e a Terra, estritamente falando seria mais exato dizer: entre o Céu e o Inferno. Essa ligação somente é possível se Adão estiver continuamente aberto ao Santo, consciente de receber dele seu sopro, de alçar-se pela contemplação a seu poder de pensamento com a finalidade de transmiti-lo como essência, como “nome”, a tudo o que vive. Por esse processo, os anjos corrompidos pela queda podem novamente ser religados e, assim, libertos do Inferno.

Adão se desvia, então, do Santo e se volta totalmente para o novo mundo. O que quer dizer que ele tudo recebe do Santo, mas se recusa a assegurar a transmissão. Ele quer guardar tudo para si e se tornar, assim, autônomo. Essa é precisamente a razão de Adão ser banido do paraíso. Poderíamos dizer que, dessa forma, ele mesmo deixa o paraíso.

Como recuperar a relação com o Filho? Acolhendo o sopro em nossas meditações, impregnando-nos dos símbolos, orando, entramos em relação mais estreita com o Santo, e somente então nos tornamos uma “pessoa” mais que uma personalidade determinada pela sociedade e pela cultura. O Grande e o Pequeno Rosto são também “pessoas”. Ser uma pessoa é estar em relação com o Santo.

Desde o século XVII nos inculcaram a ideia de que somos a fonte de nossos pensamentos e de nossos sentimentos. Ora, se fosse assim, deveríamos poder parar de pensar. Imagine! Uma mente silenciosa sem qualquer fluir de pensamento. Logo você vai perceber que isso não funciona. Não somos a fonte de nossos pensamentos. Esse processo ocorre através de nós. Ele acontece por meio de inúmeras forças, por certos fatores ao nosso redor, por outros indivíduos, pelos mortos e por todos os anjos que caíram. Em todo lugar, sem descontinuidade, esses pensamentos e sentimentos surgem em nós. Além de tudo, isso é necessário, pois todos eles precisam ser liberados. A tarefa de um cabalista (em realidade, isso é válido para todos os que seguem um caminho religioso ou místico) é aprender a criar em si mesmo um espaço acolhedor para o Filho, aberto e receptivo para o Santo – um espaço que possa receber o sopro e onde impulsos, sentimentos e pensamentos sejam admitidos a fim de serem transformados.

É importante que tomemos essa tarefa para nós, pois Adão foi concebido com esse fim. Em poucas palavras: o homem foi criado tendo em vista a libertação do mal. O objetivo não é se retirar do mundo, pois este necessita justamente de pontes para que o Céu e o Inferno se reencontrem.

A essa missão podemos responder com a oração regular, a meditação ou a contemplação. Podemos também aumentar nosso “espaço interior”, não somente durante as horas de meditação, mas em nossa vida cotidiana. Dessa maneira, discretamente, tornamo-nos uma passarela entre o Céu e a Terra.

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Trecho das Núpcias Alquímicas

I
Nada há melhor na Terra
que o nobre e precioso amor;
por ele nos igualamos a Deus,
por ele ninguém aflige a ninguém.
Deixai-nos, pois, cantar ao Rei
e que retumbe todo o mar
nós perguntamos, dai-nos a resposta.

II
Quem nos transmitiu a vida?
O amor.
Quem nos devolveu a graça?
O amor.
Por quem nascemos?
Pelo amor.
Sem o quê estaríamos perdidos?
Sem o amor.

III
Quem nos engendrou?
O amor.
Por que nos têm alimentado?
Por amor.
O que devemos aos pais?
O amor.
Por que são tão pacientes?
Por amor.

IV
Quem tem sido o vencedor?
O amor.
Como se pode encontrar o amor?
Pelo amor.
Quem pode unir aos dois?
O amor.

V
Cantai, pois todos vós
e fazei que ressoe o canto
que enaltece o amor.
Que se digne crescer
em nossos Senhores, o Rei e a Rainha;
seus corpos estão aqui, a alma lá.

VI
Se ainda vivemos,
Deus fará
que como o amor e a grande graça
os separaram com forte potência,
de igual maneira a chama do amor
os reunirá outra vez com felicidade.

RWS_Tarot_06_Lovers

A Carruagem

Amados IIr::

Saudações nas quatro pontas do Sagrado Quaternário!

Um candidato escreveu-nos solicitando um método ou exercício palpável através do qual possa efetivamente tomar seu maço e cinzel e trilhar a Senda. Ele deseja efetivamente conhecer, experimentar e testemunhar tudo o que tratamos até agora. É com muita felicidade que, atendendo a seu pedido, trazemos este material sobre A Chave do Grande Arcano.

“Segundo Saint-Martin, a prece constitui a chave fundamental da jornada da iniciação. Essa prece se parece com a meditação, com a comunhão silenciosa com Deus.
É o meio pelo qual o homem pode atingir as esferas superiores.”
Ir:: Christian Rebisse

A vontade de crescer e expandir a consciência o ajudará a Cruzar o Umbral. É no Coração que a Iniciação se produz. Deves despertar a Vontade e não mais ser arrastado pela torrente. Quando tomar uma decisão sábia, será não apenas mais um triunfo sobre problemas materiais ou de outro tipo, mas também uma vitória para o poder do Eu Interior, que desabrocha, floresce e cresce de glória em glória através das provas, expiações e regenerações que compõem a Senda.

Assim ouvimos de nosso Grão-Mestre Louis-Claude de Saint-Martin:
“Heis o que o homem pode esperar quando persevera com constância em sua prece e não esbarra nos obstáculos ilusórios que o inimigo incessantemente lhe apresenta como obstáculos intransponíveis. Uma firme confiança no fogo sagrado que nos anima, uma confiança mais firme ainda na fonte da qual emana esse fogo, e que não pode cessar de dirigir os seus olhares, o seu calor e a sua luz sobre ele, logo fazem desaparecer esses ataques débeis do nosso inimigo, que só tem forças quando somos pusilânimes e hesitantes. Não é pela repetição das palavras em sua prece que o Novo Homem chegou a essa união com o espírito; é pelo fogo interior do seu ser, que se inflamou e que espalhou ao redor dele uma luz semelhante àquela da qual se originou. A lei da afinidade realizou o resto.”

A cólera é indigna do ser desenvolvido. Quando se sentir contrariado e humilhado, lembre-se do que você é e eleve-se acima da sensação. Quando sentir medo, lembre-se que o Verdadeiro Ser não teme nada, e reafirme a coragem. Não permita que elementos procedentes do plano inferior da mentalidade o perturbem. Eles são indignos de você, que há de mostrar-lhes qual é o seu lugar. Você já foi escravo durante muito tempo, agora é o momento de libertar-se. Olhe para trás dedicando um sorriso compassivo ao seu antigo estado. Inicie a marcha diante de si com decisão e esperança e logo verá aparecer o caminho. O que deve fazer é aquilo que está à sua frente. Faça o melhor que souber, seguro de que ao fazê-lo prosseguirá para coisas melhores, até aquilo que seu coração anela. Ao se pôr em ação, lhe chegarão novas ideias, pois o ato gera inspiração. Ponha-se em marcha.

“A Devoção é um fator muito importante no Caminho da Iniciação que conduz à consciência superior, e devemos, por conseguinte, examiná-lo cuidadosamente, analisando-lhe os elementos constitutivos. Poderíamos definir a devoção como o amor por algo que é superior a nós; por algo que evoca nosso idealismo; por algo que, embora não possamos igualar, não obstante nos faz desejar ser como ele; ‘Contemplando como em espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória’. Quando um conteúdo emocional mais forte é infundido na devoção, tornando-se adoração, ele nos transporta por sobre o grande abismo existente entre o tangível e o intangível, nos permite apreender coisas que os olhos não veem nem os ouvidos ouvem. É essa devoção, que se eleva à adoração, na Grande Obra, que nos inicia nos Mistérios da crucificação.”
Ir:: Dion Fortune

O amor da planta pela água faz com que estenda suas raízes. O amor da flor pelo sol a faz afastar-se dos lugares escuros para receber a luz. As afinidades químicas são uma forma de amor. O desejo é uma manifestação deste amor da Vida Universal. Deves amar o que desejas conseguir. Uma forte vontade segue a estrela de um desejo intenso. O primeiro a se fazer é eliminar o medo e a preocupação. Quem alberga intensos e confiados desejos atrai coisas que vão ajudá-lo: pessoas, objetos, circunstâncias e entorno sempre que deseje com esperança, confiança, segurança e tranquilidade. O medo é o pai da preocupação, do ódio, do ciúme, da malícia, da cólera, do descontentamento, do fracasso e de tudo o que há de ruim. Em cada ocasião em que se opuser a ele, vai debilitá-lo e se sentirá mais forte. Deixe de alimentá-lo – mate-o de fome –, pois não pode suportar uma atmosfera de Amor, Coragem e Prece. Preencha a mente de pensamentos ousados, bons e intensos. O medo morrerá por si mesmo.

“A verdadeira religião não é uma manifestação exterior, é um sentimento, e é no coração humano que está o verdadeiro templo do Eterno. O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abrasa todos os seres. Deus é o seu foco. Como o Sol se levanta indiferentemente sobre todas as coisas e aquece a Natureza inteira, o amor divino vivifica todas as almas: seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, vão iluminar com luzes trêmulas o fundo de cada coração humano. A prece deve ser um extravasamento íntimo da alma para Deus, uma conversa solitária, uma meditação sempre útil, frequentemente fecunda. Um diálogo misterioso estabelece-se entre a alma sofredora e a potência evocada. É um grito, um lamento, uma efusão ou um canto de amor, um ato de adoração, um inventário moral feito sob o olhar de Deus, ou, ainda, um simples pensamento, uma lembrança, um olhar levantado para os céus.”
V::M:: Léon Denis

A fé é acreditar naquilo que ainda não vê, e a recompensa da fé é ver aquilo em que acredita. A melhor e mais elevada coisa em que pode pensar não é nada comparada ao que a força do amor pode dar. O Amor não tem limite. Que sua imaginação não tenha limites e pare de impô-los à vida. Não importa em qual situação se encontre, imagine sempre o melhor desfecho possível e sinta isso. Quando age assim, transforma as circunstâncias e a situação. Para trazer o invisível para o visível, precisa irradiar amor pelo que quer através da imaginação e dos sentimentos. Critique e julgue, e será criticado e julgado. Ame e aprecie, e será amado e apreciado. Em relação a tudo o que não ama, apenas afaste-se, sem julgar. Não diga não – não irradie em relação a aquilo nenhum sentimento. O pensamento produz ondas que se estendem sobre o grande oceano do pensamento, como quando se atira uma pedra na água. As ondas sobre a água movem-se em todas as direções, mas em um único plano, enquanto as ondas do pensamento movem-se em todas as direções a partir do centro, como fazem os raios do sol. Dê amor. Fale sobre o que ama. Pense no que ama. Faça o que ama. Quando, durante o dia, alguma coisa boa acontece, agradeça. Não importa quão pequena ela seja, agradeça. Quando se sentir realmente entusiasmado e feliz com algo que aconteceu, capture essa energia e imagine o que deseja. A Força do Amor deve reger tua vida. Nada pode ser posto acima do amor.

“Quando o Mestre aparece é como um sol que surge no coração do discípulo, todas as nuvens dissipam-se, tudo o que é baixo se desagrega. Expande-se uma nova claridade sobre o mundo; esquecem-se as amarguras, os desesperos e as ansiedades e o pobre coração lança-se até as radiantes paisagens entrevistas e sobre as quais o aprazível esplendor da Eternidade despeja suas glórias; nada obscurece a natureza; tudo, enfim, se harmoniza na admiração, na adoração e no amor.”
S::I:: SEDIR

Concentra tua mente e atenção em teu coração. Feche os olhos e agradeça interiormente. Sinta-se grato por todas as bençãos recebidas ontem, hoje e sempre. Volte-se para seu guia interno, e preste atenção no que ele queira, aja e faça em tua alma. A Vontade do Regenerado arde no Amor Divino. A centelha da Fé brilha nas profundezas da alma, o coração atravessa o Fogo da Angústia e, na santa combustão, elevam-se a confiança e o abandono a Deus. Com isso, a Fé estoura através de todo o poder do Opositor e todas as cadeias da cólera e da escuridão, que garroteavam a alma na astralidade, são quebradas. Se a alma extrai do amor o alimento de sua combustão, somente assim pode cantar com as legiões celestes.

Nas palavras do Venerável Mestre Éliphas Lévi:
“A oração é o derramar-se da alma na sabedoria e no amor eternos.
É o olhar do espírito para a verdade
e o suspiro do coração para a beleza suprema.
É o sorriso da criança para a mãe.
É o murmúrio do bem-amado que se debruça para os beijos de sua bem-amada.
É a doce felicidade da alma amante que se dilata num oceano de amor.
É a tristeza da esposa na ausência do novel esposo.
É o suspiro do viajante que pensa em sua pátria.
É o pensamento do pobre que trabalha para alimentar a mulher e os filhos.

Oremos em silêncio e ergamos em direção de nosso pai desconhecido
um olhar de confiança e de amor;
aceitemos com fé e resignação a parte que nos cabe nas penas da vida,
e todas as batidas de nossos corações serão palavras de oração.

Se choramos, apresentemo-lhe as nossas lágrimas;
se nos regozijamos, dirijamos-lhe o nosso sorriso;
se ele nos atinge, baixemos a cabeça;
se nos acaricia, adormeçamos em seus braços!

Nossa oração será perfeita, quando orarmos sem sequer saber que oramos.”

SURSUM CORDA
ORA ET LABORA

Pelo divino quaternário:
Amor-Vontade-Sabedoria-Atividade,
Que as rosas floresçam em vossa cruz.

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Trechos do Nuctemeron

Forças poderosas se encontram ocultas na razão, na vontade e no coração. Cada microcosmo assemelha-se a um sol e emite uma radiação e, por conseguinte, fala uma linguagem. Por mais corrompido e pervertido, por mais arruinado e violado que o ser humano esteja, sempre existe “amor” em um ser humano dialético: amor como flamejante desejo de posse, desejo por coisas materiais ou amor como um orgulho poderoso, eventualmente amor como um ódio ardente. Sabíeis que o ódio é uma expressão de amor? O ódio terrível e execrável é uma manifestação, uma erupção vulcânica. É um amor que já não conhece critério, que já não possui sabedoria, é um desejo poderoso que irrompe como fogo infernal, para consumir e aniquilar. Se possuirdes e compreenderdes algo disso, já não separareis amigos e inimigos em diversos grupos, dando a uns vosso amor, ou o que considerais como amor, e a outros vosso ódio ou vossa indignação, ou ainda vosso protesto veemente, porque compreendereis que todos, sem nenhuma exceção, se transviaram; que todos, sob as mesmas circunstâncias, agirão do mesmo modo. Por isso, enviareis vossa força de amor a todos os seres humanos. Não há, em toda a imensidão do espaço, lugar algum em que essa força original não esteja presente. É com esse amor que o candidato deve abordar qualquer conflito, qualquer cristalização, qualquer tolice, qualquer força néscia. É com esse amor que todo obreiro deve sair para o campo de colheita.

RWS_Tarot_08_Strength

Trechos do Summa Daemoniaca

A linguagem dos demônios é exatamente a mesma que a dos anjos. Os anjos não necessitam nenhuma língua, nenhum idioma para comunicar-se entre si, pois o fazem com espécies inteligíveis. As espécies inteligíveis são os pensamentos que se transmitem entre eles. Nós nos comunicamos por meio das palavras; eles se comunicam diretamente pelo pensamento em estado puro, sem necessidade de mediações sensíveis ou de signos. As espécies inteligíveis podem ter comunicação de pensamentos, de imagens, de sentimentos, etc. A transmissão dessas espécies inteligíveis é telepática, produz-se à vontade e pode dar lugar a diálogos como os que temos. As inteligências humanas comunicam nossos pensamentos por meio de palavras, que são sinais, enquanto os espíritos podem transmitir entre si o pensamento em estado puro.

Mas, o demônio jamais demonstrará a mais mínima compaixão nem a menor inclinação de Amor para com quem quer que seja. Seu coração somente odeia, é insensível ao sofrimento dos demais. Além do mais, se alguém é tentado e reza, a tentação, cedo ou tarde, desaparece. A realidade da tentação é incompatível com a prática da oração. A oração, primeiramente, cria uma barreira para a tentação, pois nela nossa Vontade e Inteligência se concentram em Deus. Se insistimos um pouco mais na oração, o demônio acaba não suportando e foge. O demônio pode nos introduzir pensamentos, imagens e lembranças, mas não pode adentrar nossa Vontade.

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